Biblioteca Nacional perde duas coordenadoras ao mesmo tempo

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Duas coordenadoras de área da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) deixaram a instituição na quinta-feira (21) com fortes críticas à gestão do presidente Galeno Amorim.

São elas: Elisa Machado, coordenadora geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), e Cleide Soares, coordenadora geral de Leitura –uma unidade da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB).

Elisa estava no cargo desde 2011, a convite de Galeno, então recém-empossado na FBN. Em carta enviada na quinta-feira aos coordenadores estaduais de bibliotecas, disse que enfrentou “uma longa batalha internamente” antes de pôr o cargo à disposição.

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Fonte: Folha de São Paulo 24/03/2013

Disco do Pink Floyd entra para acervo da Biblioteca do Congresso americano


Prestes a completar 40 anos de seu lançamento, o disco “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, foi escolhido para ser preservado na Biblioteca do Congresso americano, ao lado de hits de Simon e Garfunkel, Chubby Checker e a trilha sonora de “Os Embalos de Sábado à Noite”. Lançado em 1973, o disco do Pink Floyd passou mais de 700 semanas na lista de álbuns mais vendidos da Billboard. Segundo a biblioteca, a obra é “uma produção inovadora e brilhante a serviço da música”.
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Fonte: folha de São Paulo – Ilustrada

A biblioteca roubada

VLADIMIR SAFATLE

“A Carta Roubada” é um dos contos mais célebres de Edgar Allan Poe. Nele, o escritor norte-americano conta a história de um ministro que resolve chantagear a rainha roubando a carta que lhe fora endereçada por um amante.

Desesperada, a rainha encarrega sua polícia secreta de encontrar a carta, que provavelmente deveria estar na casa do ministro. Uma astuta análise, com os mais modernos métodos, é feita sem sucesso. Reconhecendo sua incompetência, o chefe de polícia apela a Auguste Dupin, um detetive que tem a única ideia sensata do conto: procurar a carta no lugar mais óbvio possível, a saber, em um porta-cartas em cima da lareira.

A leitura do conto de Edgar Allan Poe deveria ser obrigatória para os responsáveis pela educação pública. Muitas vezes, eles parecem se deleitar em procurar as mais finas explicações, contratar os mais astutos consultores internacionais com seus métodos pretensamente inovadores, sendo que os problemas a combater são primários e óbvios para qualquer um que queira, de fato, enxergá-los.

Por exemplo, há semanas descobrimos, graças ao Censo Escolar de 2011, que 72,5% das escolas públicas brasileiras simplesmente não têm bibliotecas. Isto equivale a 113.269 escolas. Um descaso que não mudou com o tempo, já que, das 7.284 escolas construídas a partir de 2008, apenas 19,4% têm algo parecido com uma biblioteca.

Mesmo São Paulo, o Estado mais rico da Federação, conseguiu ter 85% de suas escolas públicas nessa situação. Ou seja, um número pior do que a média nacional.

Diante de resultados dessa magnitude, não é difícil entender a matriz dos graves problemas educacionais que a-travessamos. Difícil é entender por que demoramos tanto para ter uma imagem dessa realidade.

Ninguém precisa de mais um discurso óbvio sobre a importância da leitura e do contato efetivo com livros para a boa formação educacional. Ou melhor, ninguém a não ser os administradores da educação pública, em todas as suas esferas. Pois não faz sentido algum discutir o fracasso educacional brasileiro se questões elementares são negligenciadas a tal ponto.

Em política educacional, talvez vamos acabar por descobrir que “menos é mais”. Quanto menos “revoluções na educação” e quanto mais capacidade de realmente priorizar a resolução de problemas elementares (bibliotecas, valorização da carreira dos professores etc.), melhor para todos.

A não ser para os consultores contratados a peso de ouro para vender o mais novo método educacional portador de grandes promessas.

Fonte: Folha de São Paulo – [A biblioteca roubada](http://vai.la/2Vnq)

**VLADIMIR SAFATLE** escreve às terças-feiras nesta coluna.

Na berlinda, bibliotecas se reinventam no Brasil e no mundo

Locais enfrentam perspectivas pessimistas com novas mídias e projetos para virar centro de referência sociocultural, em vez de apenas local de leitura.

Reduções nas verbas, perda de protagonismo do livro para mídias digitais e, em muitos casos, declínio no número de visitantes. O cenário atual é preocupante para bibliotecas públicas de todo o mundo, mas muitas estão aproveitando o momento para se revitalizar, embarcar em novos formatos e em novas tendências urbanísticas.

O objetivo é atrair antigos e novos visitantes e, em muitos casos, virar um centro de referência sociocultural, em vez de apenas um local de leitura.

Na Dinamarca, a futura biblioteca de Aarhus será parte de um grande complexo urbano, inserido nos planos de revitalização da baía da cidade.

O complexo, a ser concluído em 2015, vai incluir repartições públicas, espaços para shows, cursos e reuniões, áreas para serem alugadas à iniciativa privada e um café com vista para a baía. Móveis modulados permitirão que as salas da biblioteca sejam usadas para diferentes propósitos ao longo dos anos, de acordo com a demanda dos usuários.

“É muito mais do que uma coleção de livros”, diz à BBC Brasil Marie Ostergard, gerente do projeto. “É um local de experiências e serviços. Notamos que precisávamos dar mais espaço para as pessoas fazerem suas próprias atividades ou para se encontrar.”

Manguinhos e Carandiru

Aarhus resume as ambições da nova biblioteca – que incorpora novas mídias, cria espaços multiuso em constante transformação, é parte de um plano urbanístico transformador e almeja fomentar novas pesquisas e ideias.

Mas há exemplos semelhantes em todo o mundo, da Ásia e Oceania à América Latina, inclusive no Brasil.

Aqui, novas tendências inspiraram a construção de bibliotecas como a de Manguinhos, na zona Norte do Rio, para atender um complexo de 16 favelas com um acervo de 27 mil títulos, além de salas para cursos gratuitos, para reuniões comunitárias e para projetos multimídia. Um café e um cineteatro devem ser inaugurados neste semestre.

A iniciativa, repetida em outras áreas do Rio, é parte do projeto biblioteca-parque, copiado de Medellín, na Colômbia.

Na cidade colombiana, áreas carentes receberam grandes bibliotecas que servem para conectar outros espaços públicos e oferecer também cinema, cursos, shows de música.

De volta ao Brasil, exemplo semelhante é visto também na Biblioteca de São Paulo, erguida junto ao Parque da Juventude, na área do antigo presídio do Carandiru (zona Norte).

“É uma retomada da função da biblioteca, antes vista como um lugar muito elitizado ou como um mero depósito sucateado de livros”, opina à BBC Brasil Adriana Ferrari, coordenadora da unidade de bibliotecas da Secretaria da Cultura paulista.

Acervo e futuro

Mudar a forma de se relacionar com o público significa também mudar o acervo, incorporando DVDs, games e, é claro, e-books e leitores digitais, como o Kindle.

Para aumentar o apelo ao público, em especial o mais jovem, as bibliotecas também têm ampliado seu acervo de best-sellers, indo além dos livros clássicos – algo que pode incomodar os mais ortodoxos.

Para Ferrari, porém, oferecer best-sellers e uma agenda cultural intensa é essencial nas novas bibliotecas. “Tem que ter novidade todo dia e aproveitar as ondas”, diz ela.

Isso inclui promover os livros da série Crepúsculo, por exemplo, “sem fazer juízo de valor” sobre a qualidade da obra. “Aos poucos, a qualificação desse leitor vai acontecendo.”

Na opinião de Antonio Miranda, professor da Universidade de Brasília e consultor na criação de bibliotecas, o futuro reserva três tipos de modelos para as bibliotecas: a patrimonial, com acervo sobretudo histórico e clássico; a híbrida, que mescla o acervo antigo ao de novas mídias; e a sem livros – totalmente digitalizada e focada, por exemplo, no ensino à distância.

EUA

Nos EUA, tem aumentado o número de bibliotecas que oferecem mais best-sellers e criam ambientes semelhantes ao de livrarias, com cafés, vending machines, aluguel de salas para reuniões e espaços que não exigem silêncio dos visitantes.

Leia mais em… [http://wel.ly/ebw] Estadão.br

Correções com caneta vermelha podem nos fazer detestar os professores

Estudo aponta que a cor com a qual as provas e trabalhos escolares são corrigidos pode afetar o relacionamento entre mestres e alunos.

Você se lembra do que sentia cada vez que tinha que ir até a mesa do seu professor buscar uma prova e, de longe, percebia que o papel estava coberto de correções feitas com caneta vermelha? Certamente você já chegava à mesa nutrindo sentimentos de ódio eterno contra o malvado mestre.

Pois, de acordo com o site ABC Science, um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos apontou que a cor da caneta utilizada para a realização das correções pode afetar a relação entre professores e alunos. Segundo a publicação, os pesquisadores realizaram uma série de experimentos com estudantes universitários, descobrindo que, quando nos saímos bem em uma avaliação, pouco importa com qual cor o nosso bom desempenho é comentado.

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/mega-curioso/35531-correcoes-com-caneta-vermelha-podem-nos-fazer-detestar-os-professores.htm#ixzz2Id58hau6

Redes sociais para ficar de olho em 2013

Por Murilo Roncolato

CEO do Hootsuite listou sete redes sociais ainda desconhecidas que podem ganhar espaço este ano

SÃO PAULO – Em um artigo para a Fortune, Ryan Holmes, CEO do Hootsuite (plataforma que agrega e opera diversas redes sociais, como Twitter e Facebook), listou aquelas que segundo ele são redes sociais a se prestar atenção neste ano. De início, o executivo profetiza que em 2013 o Facebook deve continuar sua posição soberana sobre todas as demais, o Twitter deve crescer ainda mais e o Google+ deve finalmente ganhar massa crítica.

Citando como exemplo o Instagram, que em questão de meses após a compra pelo Facebook adquiriu 100 milhões de usuários, Holmes acredita que 2013 será particularmente um ano especial para serviços desse tipo. Confira a lista dos setes.

Pheed

A ideia por trás do Pheed, criado em outubro, é simples. Tendo em vista o sucesso de celebridades nas redes sociais e de recursos simples como o “Assinar” do Facebook, que permite que fãs acompanhem as publicações dos seus ídolos, por que não criar um ambiente em que fãs tenham que pagar para ter acesso a esse conteúdo? A lógica do VIP sempre funciona, não é mesmo? Talvez não, mas é bom ficar de olho. Miley Cyris e Paris Hilton já estão avaliando.

Thumb

Elaborado em 2010, esta rede social faz uso do desprendimento online quanto a questões de privacidade. Todos já divulgam o que comem, o que estão vestindo e aonde vão. Então por que não saber o que os outros estão achando disso? Com o Thumb, o usuário publica fotos da roupa que vai usar para sair e, em segundos, recebe aprovações (thumbs, uma variação direta do “Curtir” do Facebook) e comentários. No início do ano passado, a rede já tinha audiência de quase quatro horas por mês, em média, de seus usuários. Será que em 2013 esse número aumenta?

Medium

Depois de terem desenvolvido o Blogger e criado o Twitter, Evan Williams e Biz Stone colocaram mais uma rede social no mundo: a Medium. Não por acaso, ela mistura blog, tweets e fotos, em uma plataforma ainda reduzida a um pequeno grupo de publicadores. A página avisa que a abertura geral se dará “logo”. Quando nasceu o Medium, o coresponsável pelo site, Evan Williams, explicou: “Estamos re-imaginando a publicação em uma tentativa de fazer um salto evolutivo com base em tudo o que aprendemos nos últimos 13 anos e com base nas necessidades do mundo de hoje. Isso soa muito grandioso, então não vamos nos precipitar. Verdade seja dita, estamos apenas começando a jornada de entender o que tudo isso significa e o que estamos lançando hoje é apenas um pedaço do que descobrimos.” Vale ou não acompanhar?

Chirpify

Conectada ao PayPal, essa startup permite que usuários comprem, vendam e façam transferências usando o Twitter e o Instagram. Para isso basta um tweet. Se alguém anúncia um celular, por exemplo, no Instagram, basta escrever um tweet direcionado para o autor do anúncio e escrever “buy”. O Chirpfy fica com 5% de todas as transações. Tem futuro?

Flayvr

Assim como o Chirpify, o Flayvr não se encaixa tanto na categoria de redes sociai clássicas, mas ainda assim é um ótimo serviço, com plataforma de compartilhamento entre contatos online. A grande sacada dessa startup foi criar um forma de de organizar a total bagunça que é a pasta de fotos dos smartphones. Disponível para Android e iOS, o Flayvr separa as fotos em eventos, seleciona o que merece destaque e compartilha tudo de uma maneira bem simples, usando HTML 5, para qualquer usuário. É possível ainda selecionar quais fotos ocultar (sempre bom, não é mesmo?).

Chirp.io

Nada de tweets ou atualizações de status, a Chirp usa sons para compartilhar links. Usando um smartphone, o usuário pode tirar uma foto, subir o conteúdo na nuvem e em seguida selecionar o botão para compartilhar. Quando isso acontece, o aparelho emite um som que é interpretado como um link por aparelhos que estejam por perto, que imediatamente recebem a imagem em seus celulares. Segundo o cofundador Patrick Bergel, o Chirp pode ter aplicações práticas para a distribuição de cupons e pagamento móvel, por exemplo.

Conversations

No fim, Holmes escolhe falar da Conversations, recurso interno do HootSuite que permite estabelecer grupos de conversas, principalmente voltado para o público corporativo.

Além da lista

Além da lista de Ryan Holmes, há mais algumas redes sociais a se prestar atenção.

App.net

Essa é uma das apostas certas. A App.net é uma rede social que não depende de publicidade para sobreviver. Para o usuário isso é sinônimo de privacidade e pouca interferência visual. Quem não quer saber de sites vendendo suas informações pessoais para “parceiros”, tem recorrido a alternativas como essa.

Branch

Essa é uma plataforma de discussões. Conectado a uma lista de contatos, é possível dar início a debates sobre qualquer coisa: uma frase, um link de notícia, um vídeo, uma música ou uma foto. O Branch estava em fase de testes, mas acabou de abrir as inscrições para o público geral.

Fonte: [http://blogs.estadao.com.br/link/redes-sociais-para-ficar-de-olho-em-2013/](blogs.estadao.com.br)

Primeira biblioteca pública dos EUA sem livros físicos emprestará leitores de e-book

POR – FELIPE VENTURA 14 JAN, 2013 – 09:50

Enquanto nas bibliotecas brasileiras a adoção dos e-books ainda é tímida, nos EUA a primeira biblioteca pública do país sem livros físicos está chegando ao condado de Bexar, no Texas.
A nova biblioteca livre de livros, chamada “BiblioTech”, promete ser inaugurada no quarto trimestre na cidade de San Antonio, e deve ser o início de um sistema de bibliotecas que se expandirá pelas cidades vizinhas.
A BiblioTech vai emprestar leitores de e-books (não foi revelada a marca), que custarão US$100 cada ao governo. Você pode ficar com eles por até duas semanas; depois disso, eles parariam de funcionar. E claro, você precisa informar nome e endereço para levar o e-reader para casa, a fim de inibir roubos. Na biblioteca também haverá computadores para usar, mas nada de livros físicos.
A ideia de criar esta biblioteca veio do juiz Nelson Wolff, um bibliófilo com mais de 1.000 livros físicos em sua coleção particular. Ele diz que se inspirou a criar a BiblioTech após ler a biografia de Steve Jobs. Ele também diz: “se você quer ter uma ideia de como será [a Bibliotech], entre em uma Apple Store”.
Wolff estima que o acesso aos primeiros 10.000 títulos deve custar US$250.000. E lembra: esta biblioteca sem livros não substitui as outras – é um complemento. “As pessoas sempre vão querer livros físicos, mas não os encontrarão na nossa [biblioteca]“.
Nos EUA, várias bibliotecas de universidades já adotam e-books com sucesso. Mas em bibliotecas públicas, tentativas de fazer o mesmo não deram muito certo: ou o público não aceitou a ideia, ou pediu livros físicos também.
No Brasil, é difícil encontrar casos de biblioteca pública que oferece e-readers: temos a Biblioteca de São Paulo, por exemplo, que desde 2010 oferece alguns Kindles para uso interno (sem empréstimo). Quanto a bibliotecas de universidades, praticamente todas elas oferecem artigos acadêmicos em PDF; livros inteiros, no entanto, são mais raros.
Entre as poucas que fazem isto, temos a coleção da PUC-RS para alunos e pesquisadores; e a UFAM, no Amazonas, que recentemente inaugurou sua coleção de 3.500 títulos para acesso na universidade. A Capes, por sua vez, oferece acesso a e-books em português da editora Elsevier; enquanto a SciELO Books tem e-books editados por universidades brasileiras. E claro, ainda há as iniciativas do eBooksBrasil e Portal Domínio Público, que oferecem livros digitais de graça para todos.
A primeira biblioteca pública dos EUA sem livros deve ser aberta até o final do ano, e parece um passo curioso para o que pode ser o futuro. [San Antonio Express via DVICE]

Fonte:[ www.gismodo.br](http://vai.la/2U5T)

Falta voz para os negros nas casas legislativas do país

Participação da raça nas Câmaras municipais do país caiu nas últimas eleições. Em BH, apesar do avanço, nenhum vereador venceu com a bandeira da luta contra desigualdades

Publicação: 14/01/2013 00:12 Atualização: 14/01/2013 07:10
Bertha Maakaroun

Embora a representação negra na Câmara Municipal de Belo Horizonte tenha crescido entre 2008 e 2012 de quatro para seis vereadores – o que coloca a capital mineira como a segunda no país com maior número de pretos e pardos eleitos – nenhum desses vereadores se elegeu com a bandeira das desigualdades sociais e econômicas que decorrem da raça. Apenas dois deles – Pelé do Vôlei (PTdoB) e Juninho (PT) – admitem um mandato com atuação voltada para algum tipo de ação destinada a minimizar as injustiças históricas provocadas pela escravidão, estatisticamente demonstráveis: negros têm menos oportunidades de acesso à educação superior e aos postos qualificados no mercado de trabalho.

De olho no número de cadeiras que negros ocupam nos Legislativos municipais, a União de Negros pela Igualdade (Unegro) fez um levantamento da presença da raça em 14 Câmaras Municipais de capitais brasileiras. A representação negra decresce. Eram 52 vereadores – o equivalente a 10,8% das 478 cadeiras dessas câmaras. Em 2012, eles eram 48 – o correspondente a 9,5% das atuais 502 cadeiras, uma vez que algumas cidades aprovaram no ano passado um aumento do número de vereadores.

Em Belo Horizonte, Palmas, Campo Grande e Florianópolis houve tímido crescimento de uma eleição para outra. No Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Goiânia e Curitiba os números se mantiveram. Se em Natal não havia vereadores negros em 2008, assim continua. Já em São Paulo, Manaus, João Pessoa e em Belém, o número de vereadores negros, que já era pequeno há quatro anos, encolheu. Também em Salvador, cidade onde em 2008, 18 dos 43 vereadores se autodeclararam negros, em 2012, 15 afirmaram o mesmo.

“Não apenas nas Câmaras Municipais, mas também nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional, os negros estão sub-representados”, afirma Alexandre Braga, coordenador nacional de Comunicação da Unegro. “Mesmo constituindo mais da metade da população brasileira, dos 513 deputados federais, somente 44 se declararam negros em 2010. Dos 81 senadores, apenas dois fizeram o mesmo”, informa Braga, lembrando que a representação negra do Congresso é de apenas 7,5%. Nas Assembleias Legislativas, a contabilidade não é mais alentadora. Do total no Brasil de 1.059 deputados, somente 46 – 4,3% – afirmaram ser negros

“Fizemos um levantamento nos gabinetes e com os próprios vereadores. O critério é o da autodeclaração. Na capital mineira houve um aumento de quatro para seis vereadores negros, uma representação de 14,6%, maior do que a média nas capitais, de 9,5%”, considera Alexandre Braga.

Se quantitativamente registra-se maior presença da representação parlamentar negra em Belo Horizonte, a atuação desses vereadores não se pauta por aquilo que o movimento negro denomina “tomada da consciência negra”: o combate ao racismo em suas diferentes frentes, possibilitando que as pessoas promovam individualmente sua transformação e autossuperação das condições históricas adversas.

RISCO “Para o nosso movimento é importante a representação do negro que tem raiz. O povo negro no país está em situação de risco e o vereador da causa tem de trabalhar nessa direção com a cabeça aberta”, afirma Maurício Tizumba, instrumentista, cantor, compositor, ativista e um dos fundadores do Tambor Mineiro, grupo de percussão com influência do congado. “Em princípio, a causa não se sente representada por essa bancada de vereadores. Mas o mandato é o momento para provar que sabem de nossa história, da desigualdade racial e social, para trabalhar nessa direção”, lembra Tizumba. “Mesmo não conhecendo a atuação desses vereadores em favor de nossa causa, me sinto bem de ter esses seis negros lá dentro. Pelo menos isso. Podemos fazer cobranças.”

O movimento negro tem historicamente lutado para eleger vereadores e deputados. A militância política em busca da representação formal, segundo Tizumba, iniciou-se em 1978, elegendo “brancos que pudessem ajudar a realidade negra”. Em Minas foram várias tentativas, marcadas pelo insucesso eleitoral. “Tenho trabalhado para a formação de candidatos negros. À exceção do seu Joaquim, eleito deputado estadual na década de 1970, nunca nenhum se elegeu. É muito difícil”, avalia, fazendo paralelo com a representação parlamentar de gênero. “Comparado com o da mulher, o problema do negro é quase igual. Muitos se candidatam. Pouquíssimos se elegem”, avalia, lembrando que a estrutura do financiamento de campanhas e dos partidos políticos exclui da política os que já vivem mariginalizados.

Fonte: [www.em.com.br](http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/01/14/interna_politica,343132/falta-voz-para-os-negros-nas-casas-legislativas-do-pais.shtml#.UPPotuhAo3Y.gmail)

Quilombolas expõem miséria brasileira

Quilombolas expõem miséria brasileira
Comunidades obtêm reconhecimento oficial, mas ficam sem posse legal da terra e apresentam índices baixíssimo de desenvolvimento social.

ROLDÃO ARRUDA – O Estado de S.Paulo
Um pequeno grupo de quilombolas organizou, na quarta-feira, um protesto ao lado da praia onde a presidente Dilma Rousseff descansava, nos arredores de Salvador, na Bahia. Moradores da comunidade Rio dos Macacos, eles queriam demonstrar à presidente a demora na solução dos conflitos que enfrentam para obter os títulos de propriedade das terras em que vivem.

Protegida por um muro, Dilma, até onde se sabe, não viu nada. Mas, diante dos jornalistas, postados na praia à espera de um aceno ou de uma foto da intimidade presidencial, os quilombolas conseguiram chamar a atenção para um drama que se repete por todo o País: o aumento das tensões decorrentes da demora nos processos de demarcação e titulação de terras.

De um total de 2.002 comunidades legalmente reconhecidas no País, só 138 conquistaram o título definitivo de suas terras – de acordo com os dispositivos da Constituição de 1988. Nos dois anos de governo Dilma, foram expedidos 18 títulos, segundo informações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A titulação das terras é uma das partes mais importantes na solução dos problemas dos quilombolas, mas não a única. Trata-se de um dos grupos populacionais mais vulneráveis do País.

De acordo com números oficiais, existem 214 mil famílias vivendo em localidades remanescentes de antigos quilombos, com quase 1 milhão de pessoas. Desse total, 92% se declaram pretos e pardos e, diz o Ministério do Desenvolvimento Social, 75% vivem em situação de extrema pobreza. Um número alto diante da média nacional, de 8,5%.

Patamar inferior. Nenhum indicador é favorável a eles. Ao cruzar dados do Desenvolvimento Social, do Censo 2010 e de outras instituições do governo, a Fundação Palmares, responsável pelo reconhecimento oficial dessas comunidades, constatou que 76% não dispõem de coleta de esgoto, 63% vivem em casas com piso de terra batida, 62% não têm acesso a água encanada e 24% não sabem ler e escrever.

Pode-se contrapor a essas informações o fato de 83% dos quilombolas sobreviverem de atividades rurais, incluindo o extrativismo e a pesca artesanal. Ou seja: se fossem comparadas exclusivamente com dados da população rural do Brasil, as informações sobre suas condições de vida não pareceriam tão dispares. Mas, mesmo assim, elas ficam num patamar inferior, sempre.

Em 2006, pesquisa nutricional do Desenvolvimento Social nas comunidades quilombolas constatou que a proporção de crianças desnutridas é 76,1% maior do que na média brasileira e 44,6% maior do que na população rural. A incidência de meninos e meninas com déficit de peso para a idade nessas comunidades é 8,1%, maior do que o índice de 6,1% registrado entre crianças do semiárido – uma das regiões mais devastadas do País.

Os números confirmam conclusões de especialistas do Brasil Sem Miséria, segundo os quais os miseráveis brasileiros se concentram na zona rural; e que, entre eles, é maior a incidência maior de pretos e pardos.

Na Secretaria da Igualdade Racial, em Brasília, a responsável pelo setor de Políticas para Comunidades Tradicionais, Silvany Euclênio, destaca outro fator que desfavorece essas comunidades: “Seus criadores escolhiam lugares distantes, áreas de difícil acesso, e faziam questão de se manter à margem do Estado, porque a face que conheciam dele era somente a repressiva”.

Algumas comunidades não foram alcançadas até hoje por programas como o Bolsa Família. Diante dessa realidade, o governo Dilma tem dado prioridade à extensão de programas de transferência de renda e de inclusão produtiva às comunidades. Cerca de 75% das famílias já recebem o Bolsa Família.

Resultados. “A estratégia tem sido a da busca ativa das comunidades e a articulação de políticas federais com os municípios e os Estados, para fazer frente à vulnerabilidade dessas famílias”, afirma Alexandro Reis, diretor do setor de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro, da Fundação Palmares.

É uma estratégia que pode ter resultados mais rápidos que a da ênfase nos processos de titulação de terras, frequentemente marcados por conflitos com produtores rurais e até mesmo com instituições públicas.

Na Bahia, a Marinha sustenta que a terra reivindicada pela Comunidade Rio dos Macacos foi desapropriada na década de 1950 pela União e está sob sua administração. Em 2011, a Justiça Federal determinou a retirada dos quilombolas, mas eles resistem e, na quarta-feira, foram pedir a Dilma, que estava sendo hospedada pela Marinha, que intercedesse no conflito.

Fonte: [Estadão]( http://vai.la/2TR9 )

Biblioteca Nacional concentra poder e verba, mas é criticada por descuidar de acervo

MATHEUS MAGENTADE SÃO PAULORAQUEL COZERCOLUNISTA DA FOLHA

Na última terça-feira, quando uma grade de 1,25 m x 0,55 m despencou de oito metros de altura dentro da sede da Biblioteca Nacional, no Rio, o presidente da instituição, Galeno Amorim, estava em reuniões em Brasília.

Ele continuava lá no dia seguinte, quando funcionários fizeram, na frente do centenário prédio carioca, o segundo protesto do ano pelas más condições do lugar -que atingiu alto nível de degradação neste ano, com infiltrações e problemas elétricos.

Desde que assumiu a Fundação Biblioteca Nacional, em 2011, o paulista Galeno Amorim, 50, tem dividido seus dias entre atribuições na sede da instituição e uma série de viagens a trabalho, inclusive a outros países.

A rotina, que difere da que seus antecessores tiveram no cargo, decorre da transferência – iniciada em 2011 e concretizada em abril deste ano- de todas as políticas públicas de livro, leitura e literatura do país para a instituição.

A instituição acumulou funções como modernizar bibliotecas, internacionalizar a literatura brasileira e formar agentes de leitura, além do já enorme trabalho de preservar a memória do país.

Com isso, a gestão de Galeno passou a ser criticada por descuidar do básico: a biblioteca e seu acervo.

Ao mesmo tempo, projetos anunciados com alarde, como o Programa do Livro Popular, nem saíram do papel.

O apoio à cadeia produtora do livro e a internacionalização da literatura brasileira, outras marcas da atual administração, são elogiados pelo mercado e por autores, mas servem de munição adicional aos críticos do que seria descaso com a biblioteca.

ACÚMULO

Em novembro, dois meses após assumir o Ministério da Cultura, Marta Suplicy contestou, em entrevista à Folha, a ampliação das atribuições da FBN, tema que divide especialistas em políticas públicas.

Questionada se a FBN é a instância mais adequada para cuidar das políticas de livro e leitura, disse: “Não é. Não acho [que seja]. Estou estudando por que foi feito desse jeito e como seria se a política do livro voltasse para Brasília. Não decidi ainda, mas estou reavaliando”.

Galeno Amorim diz ter “posições rigorosamente parecidas” com a de Marta. “A junção dessas áreas na FBN fortaleceu as políticas de livro e leitura. Mas acredito que seja importante uma instituição para cada uma das coisas.”

Segundo ele, ainda estão sendo formadas condições para a criação do Instituto do Livro, que seria voltado especificamente a essas políticas. “A meta é mostrar resultados. Cabe à ministra avaliar se o momento é oportuno.”

Colaborou MARCO AURÉLIO CANÔNICO, do Rio

Fonte: Folha de São Paulo – Ilustrada 22/12/2012